A inteligência artificial deixou de ser ficção científica para se tornar uma realidade onipresente, transformando indústrias em ritmo acelerado. Nas indústrias de mídia e criativas, a chegada da IA generativa gerou um debate acalorado. Para alguns, representa uma ameaça à criatividade e aos meios de subsistência, enquanto para outros, é uma ferramenta poderosa que amplia as capacidades criativas.
Sucedendo a “Transformação Digital”, a “Transformação pela IA” é agora um dos pontos centrais no planejamento estratégico das empresas mais inovadoras.
Este artigo, baseado na edição 2025 do white paper “Getting AI transformation right” da AudioStack e AWS, explora o cenário atual e oferece um roteiro para navegar nesta nova tecnologia de forma ética e eficaz.
O cenário da IA generativa
O mercado de IA generativa está em franca expansão, com o potencial de adicionar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões à economia global. Áreas como marketing e vendas, operações de atendimento ao cliente, engenharia de software e P&D são apontadas como as que mais se beneficiarão. Estima-se que a IA generativa absorverá atividades que consomem de 60% a 70% do tempo dos funcionários, impactando significativamente o “trabalho do conhecimento”.
No entanto, a entrada da IA no reino da criatividade divide profundamente os profissionais da mídia. Embora a tecnologia tenha historicamente criado mais empregos do que substituído, a velocidade e a capacidade da IA generativa levantam preocupações sobre o futuro do trabalho. A colaboração entre criativos e desenvolvedores é crucial para aproveitar o melhor dos dois mundos.
Buscando o equilíbrio entre risco e oportunidade
A IA generativa apresenta tanto oportunidades quanto riscos para as indústrias de mídia e criativas.
Oportunidades:
- Novos modelos de negócios e fontes de receita.
- Economia de tempo e custos.
- Uma ferramenta para verdadeira transformação.
Riscos:
- Ameaça aos modelos de negócios existentes.
- Aumento da velocidade da concorrência.
- Infração de direitos autorais e questões legais.
- Impacto nas equipes e na cultura organizacional.
A chave para o sucesso reside em encontrar um equilíbrio, utilizando a IA como uma ferramenta complementar que otimiza o trabalho criativo, em vez de substituí-lo completamente.
Cinco áreas chave para o sucesso na transformação pela IA
Para navegar na transformação pela IA de forma eficaz e ética, as empresas devem considerar cinco áreas principais:
- Estratégia e governança de IA: É fundamental definir objetivos claros e avaliar se a IA é a ferramenta certa para alcançá-los, evitando a adoção indiscriminada impulsionada pelo hype. O sucesso deve ser medido de forma holística, considerando não apenas o ROI financeiro, mas também a inovação, a satisfação dos funcionários e a experiência do cliente.
- Sistemas, dados e privacidade: A IA depende de grandes volumes de dados, tornando a proteção da privacidade uma preocupação central. As empresas devem estar atentas aos riscos de exposição de dados e buscar um equilíbrio entre a personalização e a segurança. A conformidade com regulamentações de proteção de dados, como a LGPD, é essencial. Mecanismos de consentimento claros e a implementação de estratégias de proteção de dados, como anonimização e criptografia, são cruciais.
- Ética e desenvolvimento responsável de IA: A IA deve ser desenvolvida e utilizada com considerações éticas em mente, evitando a disseminação de desinformação. A transparência, a justiça, a privacidade, a segurança, a robustez, o uso benéfico e a responsabilização são princípios fundamentais da IA responsável. É importante estabelecer diretrizes éticas, garantir a qualidade e a diversidade dos dados de entrada e manter uma supervisão humana (“human-in-the-loop”).
- Direitos autorais: A proteção dos direitos autorais é crucial para manter um ecossistema ético de IA, garantindo que os criadores sejam reconhecidos e compensados por seu trabalho. Modelos de IA generativa podem facilmente replicar conteúdo, tornando a salvaguarda das obras originais ainda mais crítica. Tecnologias como a marca d’água digital podem ajudar a proteger o copyright.
- Confiança, segurança e risco: A segurança cibernética é uma prioridade máxima, especialmente com o surgimento de deepfakes, áudios e vídeos sintéticos que imitam pessoas reais. Os deepfakes representam uma ameaça significativa para indivíduos e organizações. Estratégias de defesa incluem watermarking, educação e conscientização, e planos de resposta a incidentes. A conformidade com padrões internacionais de segurança é fundamental.
Legislação global de IA: um panorama em evolução
A regulamentação da IA varia significativamente em todo o mundo.
- Estados Unidos: Favorecem a inovação sobre a regulamentação em nível federal, com diretrizes e padrões, mas sem leis vinculativas. A abordagem é descentralizada e setorial.
- Europa: Adotou uma abordagem mais cautelosa, com o AI Act como a primeira legislação abrangente sobre IA globalmente, focando na avaliação de risco precoce e na proteção dos usuários.
- Reino Unido: Busca um equilíbrio entre a inovação e a governança ética, com um foco em impulsionar a economia de IA.
- MENA (Oriente Médio e Norte da África): Reconhece a importância da IA e está desenvolvendo estruturas regulatórias, com os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita liderando a implementação de estratégias e diretrizes éticas.
- Brasil: Segue uma abordagem regulatória ainda em desenvolvimento, buscando equilibrar inovação e governança. Atualmente, o Brasil não possui uma legislação abrangente específica para IA, mas há projetos de lei em tramitação que estabelecem princípios e diretrizes para o uso da IA, inspirado em modelos internacionais. A regulação brasileira tende a adotar um enfoque setorial e baseado em princípios, semelhante ao dos Estados Unidos, mas com uma preocupação crescente com aspectos éticos e direitos fundamentais, como na Europa.
A legislação global de IA continua a evoluir, com uma tensão constante entre o incentivo à inovação e a mitigação de riscos. As empresas devem manter-se atualizadas sobre as mudanças regulatórias e adaptar suas estratégias de IA em conformidade.
Cinco pontos chave para navegar na Transformação pela IA
- Regulamentação: Aderir às diretrizes atuais, adaptar-se a novas regulamentações e acompanhar as mudanças regulatórias e o interesse do consumidor.
- Segurança: Implementar estratégias de defesa contra deepfakes, como watermarking e treinamento de funcionários, e garantir a conformidade com padrões de segurança.
- Ética: Estabelecer diretrizes éticas para o uso da IA, garantir a qualidade dos dados e manter uma supervisão humana.
- Eficácia: Avaliar cuidadosamente a eficácia da IA para sua organização, definindo objetivos claros e considerando benefícios além do ROI financeiro.
- Privacidade: Priorizar a proteção da privacidade dos dados, seguindo as regulamentações mais rigorosas (como a LGPD) e utilizando ferramentas como criptografia e anonimização.
Estudos de caso
Dois estudos de caso ilustram o potencial transformador da IA nas indústrias de mídia e criativas:
- PENNY: A rede varejista utilizou a tecnologia da AudioStack para criar uma campanha de áudio dinâmica e personalizada em larga escala, com resultados significativos em termos de relevância local, redução de custos e tempo de produção.
- Blinkist: O serviço de resumo de livros automatizou seu processo de produção de áudio de formato longo com a AudioStack, alcançando uma eficiência de custo 10 vezes maior e uma eficiência de tempo 20 vezes maior.
Planejamento estratégico e projeto piloto
A transformação pela IA é inevitável e oferece um potencial significativo para as indústrias de mídia e criativas. No entanto, o sucesso requer uma abordagem estratégica, ética e consciente dos riscos e oportunidades envolvidos. Ao priorizar a governança, a proteção de dados, a ética, a segurança e a adaptação às regulamentações em evolução, as empresas podem aproveitar o poder da IA para inovar e prosperar.
Por fim, diante de um cenário tão amplo, vale destacar a importância de um projeto piloto como passo inicial para integrar a IA na operação da empresa. Exploramos este aspecto mais prático no artigo “Projeto piloto: essencial para integrar a IA na operação das empresas” que pode ser visto aqui.
O white paper da AudioStack pode ser baixado aqui.
Fonte: AudioStack