O podcasting entra em 2026 vivendo uma de suas transformações mais profundas desde a popularização do formato. Segundo as previsões da Deloitte para o setor de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações, o áudio sob demanda deixa de
ser apenas um produto para ser ouvido e passa a ocupar, de forma consistente, a tela dos consumidores. O avanço dos podcasts em vídeo (“videocasts” ou “vodcasts”), reposiciona o meio no ecossistema audiovisual e cria novas oportunidades de negócios, ao mesmo tempo em que intensifica a competição por atenção com a TV tradicional e os serviços de streaming.
Crescimento da audiência e das receitas
De acordo com a análise da consultoria, o consumo de podcasts em vídeo cresce rapidamente, impulsionado pela integração nativa desse formato em plataformas já consolidadas, pela força dos clipes curtos nas redes sociais e pela maior proximidade gerada entre criadores e audiência. A Deloitte projeta que as receitas globais de publicidade em podcasts e videocasts devem atingir cerca de US$ 5 bilhões em 2026, com crescimento anual próximo de 20%, um sinal claro de maturação comercial do segmento.
O relatório destaca que grandes plataformas de áudio e vídeo passaram a tratar o podcast como um produto audiovisual completo. Serviços como Spotify, YouTube e outros players do mercado incorporaram feeds de vídeo às suas interfaces e investiram em ferramentas para facilitar a produção e a monetização desse conteúdo. O YouTube, mesmo sendo um participante mais recente no ecossistema de podcasts, já exerce influência significativa ao atrair audiências massivas para videocasts e ao transformar episódios em eventos ao vivo com alcance comparável ao de programas de TV.
O apelo visual é apontado como um diferencial decisivo. Ao permitir que o público veja expressões, gestos e o ambiente dos apresentadores, o vídeo aprofunda a relação de confiança e engajamento. A Deloitte observa que usuários que assistem a podcasts consomem mais conteúdo do que aqueles que apenas ouvem, além de apresentarem maior propensão a interagir com marcas e anúncios. Esse nível de atenção mais focada, comum no consumo em telas grandes e TVs conectadas, torna o formato especialmente atraente para anunciantes.
A escala global e o desafio da relevância local
Outro eixo central das previsões é a expansão global do podcasting. O estudo mostra que mercados emergentes como Brasil, Índia e Nigéria vêm adotando o formato de forma acelerada, impulsionados pela popularização de smartphones, pela redução dos custos de dados móveis e pela natureza flexível do consumo sob demanda. O crescimento é reforçado pelo investimento das plataformas em conteúdos locais e multilíngues, estratégia considerada essencial para sustentar a expansão fora dos mercados de língua inglesa.
A Deloitte ressalta que podcasts e videocasts deixaram de ser um fenômeno predominantemente norte-americano e caminham para se tornar um meio verdadeiramente global. A diversificação linguística e cultural amplia o alcance das marcas e cria espaço para narrativas regionais, embora ainda existam desafios relevantes relacionados à monetização, infraestrutura e modelos de receita em países onde o custo por mil impressões publicitárias é mais baixo.
Para o futuro próximo, o relatório indica que o sucesso das plataformas dependerá da capacidade de equilibrar escala global com relevância local. Isso inclui investimentos em tecnologia para distribuição eficiente de vídeo, recursos de tradução e adaptação de conteúdo, além de soluções técnicas que viabilizem o consumo em ambientes com limitações de conectividade. Ao mesmo tempo, a Deloitte aponta oportunidades para serviços de streaming de vídeo explorarem o podcast como formato complementar, seja para manter o engajamento entre temporadas, seja como laboratório de baixo custo para desenvolver novas propriedades intelectuais.
O relatório da Deloitte pode ver visto aqui.
Fonte Deloitte














