A pesquisa Share of Ear, realizada pela Edison Research, é um estudo contínuo sobre os hábitos de consumo de áudio nos Estados Unidos. Ela mede a participação de diferentes formatos de áudio no tempo total que as pessoas passam ouvindo conteúdo de áudio e o contexto em que isto ocorre. A pesquisa é realizada trimestralmente desde 2014, com cerca de 1.000 americanos em cada edição, fornecendo dados atualizados sobre rádio AM/FM, podcasts, streaming e mais.
A coleta de dados da pesquisa é feita através de um diário de escuta preenchido pelo entrevistado ao longo de um dia. A maioria dos pesquisados utiliza um diário online, mas alguns recorrem a um diário em papel. Os participantes registram por conta própria os detalhes de escuta a cada intervalo de 15 minutos ao longo de 24 horas.
Por acompanhar o consumo de áudio ao longo de uma extensa série histórica, a pesquisa Share of Ear se mostra especialmente valiosa para a identificação de tendências. Embora os dados retratem o mercado dos Estados Unidos, a análise dessas dinâmicas oferece referências úteis também para o contexto brasileiro.
Este é o caso da última série de dados divulgada pela Edison Research, onde a empresa destacou uma mudança histórica na maneira como os americanos de 13+ anos escutam diariamente conteúdo falado. Este é um recorte importante, que representa cerca de 25% de todo o tempo diário dedicado ao áudio.
Em 2015, o rádio AM/FM representava 75% do tempo que os americanos dedicavam a fontes de áudio falado. Além de ser a plataforma dominante nesse tipo de escuta, o AM/FM superava os podcasts em expressivos 65 pontos percentuais, já que eles respondiam por 10% do tempo de escuta naquele período. Trimestre após trimestre e ano após ano, o percentual do tempo gasto com o rádio AM/FM para ouvir conteúdo falado diminuiu de forma significativa, migrando para o consumo de podcasts. No quarto trimestre de 2025, 40% do tempo dedicado à escuta de conteúdo falado passou a ocorrer em podcasts, enquanto 39% desse tempo ficou com o rádio AM/FM. Ou seja, o rádio não apenas deixou de superar os podcasts com folga, como passou a ficar atrás da plataforma sob demanda na escuta de áudio falado.

Algumas considerações podem ser feitas sobre os dados da Edison Research. Primeiro, que o tempo total de consumo de conteúdo de áudio registrou aumentos ao longo dos últimos anos, o que significa que uma perda de share não implica necessariamente em uma perda equivalente no número absoluto de ouvintes. Por outro lado, o consumo de podcasts em vídeo pode contaminar o que é considerado como conteúdo falado em áudio e produzir distorções ao se computar o share no formato áudio.
Entretanto, mesmo que o impacto destas variáveis não esteja totalmente claro, é inegável o crescimento contínuo dos podcasts e os reflexos no consumo do rádio AM/FM nos últimos dez anos. Em maior ou menor grau, pode-se concluir que há um processo de migração dos ouvintes do linear para o on-demand.
Fonte: Edison Research














